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domingo, 8 de setembro de 2019

Persepolis, Marjane Satrapi

Acho que sempre fui uma pessoa curiosa, coisa que tem crescido comigo ao longo dos anos. Tenho como objetivo (e acho que é isso uma das coisas que me dá algum sentido) conhecer sempre mais, seja isto através das pessoas, das histórias, dos livros, das imagens, dos sítios, músicas, etc. Foi neste sentido que este ano decidi começar a ler mais poesia, por exemplo, visto que é um género de literatura que me tem passado mais ao lado. Também por isto, decidi ver qual a origem dos escritores que tenho andado a ler, com a intenção de diversificar mais as minhas leituras e conhecer realidades distantes da minha.

Em Agosto, incentivada pelo #agostoaoquadrado, decidi que tinha de ler Persepolis, da Marjane Satrapi, até porque já há alguns anos que tinha a intenção de conhecer esta história. Acabou por ser esta a minha porta de entrada para o mundo das novelas gráficas e bandas desenhadas e não sei se poderia ter escolhido melhor.

Persepolis é uma autobiografia, em que a Marjane nos conta a sua história desde a infância, contextualizada numa sociedade em mudança, após a revolução iraniana em 1979. Vamos acompanhando o seu percurso de vida, o significado que atribui às coisas, a construção do seu sistema de valores, as suas relações e todas as mudanças que vão ocorrendo dentro e fora dela.


Tinha elevadas expectativas para este livro, o que por vezes pode ser perigoso, mas neste caso não me desiludi. Adorei conhecer esta história de vida neste formato, com toda a riqueza que lhe foi acrescentada pela parte gráfica. É uma obra necessária e, ao lê-la, sentimos isso mesmo, que a Marjane tinha que contar a sua história e da sua família. Aprendi muito, não só sobre o Irão, mas também sobre pessoas.

Ainda não tinha terminado esta leitura e já temia chegar ao fim, dadas as saudades que já sentia da Marji, que se tornou numa inspiração para mim. Identifiquei-me muito com a sua sede de conhecimento e pela vontade de querer perceber o mundo à sua volta. Fiquei a desejar ter lido este livro há uns 10 anos, porque tenho a certeza que a Marji teria tido ainda mais impacto em mim. Deixou-me com vontade de pregar a todos que leiam este livro e conheçam a história da Marji e por isso é que preciso de partilhar isto por aqui e onde conseguir! Leiam!

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

O Médico e o Monstro, Robert Louis Stevenson

Nunca li Frankenstein, mas quando comecei este livro, ia à espera de algo desse género. Andei à procura dele em Edimburgo, já que o Robert Louis Stevenson era escocês, mas foi numa pequena feira do livro por aqui que o encontrei. Acho que O Médico e o Monstro é ideal para quem quiser um livro pequenino para ler, embora não nos traga grandes novidades, pelo menos não em termos de narrativa (apesar de não acontecer exatamente o que estão à espera quando iniciam a leitura). Não vou adiantar-me quanto a isso, já que o livro é muito curtinho e tem muito do seu interesse em ser descoberto aos poucos.

Dando apenas algumas orientações, neste livro vamos entrar pelas ruas obscuras de Londres no século XIX. Aí vamo-nos cruzar com uma personagem misteriosa, que ninguém sabe muito bem quem é e cujas intenções e comportamentos deixam o nosso protagonista inquieto. Até porque esta personagem estranha parece andar a aproveitar-se da boa vontade de um dos seus poucos amigos (este protagonista não parece ser a pessoa mais afável deste mundo - nem do outro!). A partir daí, vamos com ele nessa missão de perceber o que se passa e quem é esta pessoa estranha.

Chegamos ao fim e percebemos que, na altura em que este livro foi escrito (1886), terá sido bem capaz de tirar o sono a alguns leitores e deixá-los com medo de caminhar por aqueles becos escuros da cidade. Percebemos que, além de uma história de mistério, é também uma história sobre aquilo de que o Homem é capaz. Aliás, não sei se Freud terá lido este livro, mas isto para ele seria uma clara ilustração das pulsões de vida e de morte. Oh, um miminho!

sábado, 27 de abril de 2019

Momentos de Aqui, Ondjaki

Já ando há imenso tempo com vontade de conhecer a escrita do Ondjaki, e como este ano decidi começar a esforçar-me por tentar fazer leituras mais diversas (pelo menos em termos geográficos), decidi atirar-me ao Momentos de Aqui, um livro de contos deste autor angolano. Além disso, sendo Abril o mês do #abrilcontosmil, senti que era a altura certa.

Quando partilhei no Instagram que ia começar a ler este livro, alguém me respondeu dizendo que se gostasse de Ondjaki, teria que ler também Mia Couto, porque iria adorar. Ora, Mia Couto é outro autor que também já quero conhecer há anos e é ele quem assina o prefácio deste livro, que eu adorei. E pronto... Agora tenho mais dois autores que quero muito ler!
Isto, porque adorei este livro do Ondjaki! Não tenho tido uma relação muito fácil com contos, porque sinto sempre que ficam aquém e algumas das antologias que li até hoje acabam por ter muito pouca coisa de que possa realmente dizer que gostei. Certamente que tenho andado atrás dos livros de contos errados para mim. 


Por tudo isto, comecei a ler este livro com algum receio de ser mais um que me passasse completamente ao lado, mas enganei-me. Adorei logo o primeiro conto! Não vou mentir e dizer que gostei de todos, porque sendo uma antologia, há sempre alguns que não têm tanto impacto, mas o saldo é muito positivo. Deixou-me cheia de vontade de ler mais coisas do autor!
Há contos sobre a guerra e o que fica depois dela, sobre a saudade, a infância e a velhice, o passar do tempo e o luto. Há contos sobre simples momentos, como o primeiro, que envolve o mar, a paz e liberdade do horizonte e que consegue fazer com que nós, leitores, estejamos lá também com os personagens, a sentir o que eles sentem. É incrível! A impressão com que fiquei, de maneira geral, é que ele nos conta histórias muito sensoriais, ou seja, transmitindo-nos cheiros, imagens, sons, que se tornam muito palpáveis durante a leitura. São histórias que mexem com as nossas emoções e de formas diferentes, fazendo-nos sentir calmos ou tristes, nostálgicos, zangados, ou até que nos fazem rir (ex: "Uma barriga natural mesmo").

Acho que dá para perceber que recomendo muito, não dá?

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Uma Cana de Pesca Para o Meu Avô, Gao Xingjian

Faz parte da minha personalidade esta vontade de querer conhecer sempre mais, de querer explorar novos autores, novas histórias, novos géneros literários. Por isso é que tenho tentado explorar um bocadinho mais a poesia e os livros de contos, e também por isso é que decidi ver de que países eram os autores dos livros que tenho andado a ler (aqui).
Foi neste sentido que decidi conhecer este autor, o Gao Xingjian, vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 2000. Até aqui nunca tinha lido qualquer obra de autores chineses, então decidi aproveitar para o fazer através deste pequeno livro de contos, cujo título provém de um desses contos, o Uma Cana de Pesca Para o Meu Avô. 
Geralmente gosto muito de ter um livro assim como leitura secundário, para ir lendo um conto de vez em quando ou uma crónica ou um poema. Mas com este livro a experiência foi penosa. Apesar de ter menos de 100 páginas e dos textos serem curtos, dado que são pequenas histórias, demorei imenso para o ler e raramente tinha vontade de lhe pegar.
Inicialmente estava bastante entusiasmada com a leitura e quando soube que era um autor premiado, ainda aumentei mais as minhas expectativas, embora as fracas pontuações no Goodreads devessem ter feito soar os alarmes.
Este livro é composto por seis contos, dos quais gostei mais ou menos de um e gostei realmente de outro. Quanto aos restantes, senti que foram uma perda do meu tempo... Falando daquele de que gostei bastante, "A cãibra", que é o terceiro e me fez ganhar esperança, senti que o autor foi muito bem conseguido. Nesse conto temos como cenário a praia e um homem que entra no mar ao final da tarde e que a certa altura têm uma cãibra, que lhe dificulta a saída do mar. É uma ideia muito simples, mas que foi escrita de uma forma muito envolvente, que me fez sentir ansiosa, como se eu própria estivesse naquela situação aflitiva. É um homem a tentar sair do mar, com o céu a escurecer, sem ninguém que o veja e tente ajudar e sem ele próprio se conseguir mexer em condições. Isto podia perfeitamente sair do repertório de pesadelos de alguém!
Quanto ao outro conto do qual gostei mais ou menos, "O acidente", nele debate-se a indiferença perante um acidente, em que uma pessoa é morta por atropelamento no meio de uma cidade movimentada. Apesar de ter achado alguns aspetos interessantes, não adorei este conto.
Relativamente aos outros, apenas os li com esperança de chegar ao final com um saldo positivo e de maneira a ter uma opinião o mais completa possível quanto a este livro. Na verdade não me arrependo de o ter feito, porque até gostei de algumas ideias e frases, mas não é um livro que recomende.
Parece-me que também tenho dificuldades em encontrar livros de contos de que goste, então aceitam-se sugestões!

sexta-feira, 15 de março de 2019

Livros do Mundo #1: Escócia

Não sei quando será a próxima, mas decidi que sempre que viajar, irei comprar um livro de um autor com nacionalidade do país que estiver a visitar. Assim, uma das coisas que planeei para a minha viagem a Edimburgo, foi a minha wishlist de autores escoceses e algumas obras que pela sinopse me pareceram interessantes. Esta lista era composta por autores mais clássicos e outros mais contemporâneos. Pena que me tenha esquecido dela em Portugal... Já leram alguns?
  • Walter Scott (Ivanhoe, 1819)
  • Robert Louis Stevenson (The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde, 1886)
  • Arthur Conan Doyle (A Study in Scarlet, 1887)
  • J. M. Barrie (Peter Pan, 1904)
  • Lewis Grassic Gibbon (Sunset Song, 1932)
  • Muriel Spark (The Prime of Miss Jean Brodie, 1961)
  • Irvin Welsh (Trainspotting, 1993)
  • Ali Smith (The Accidental, 2005)
Obviamente que, no meio dos meus planos para esta viagem, também incluí algumas idas a livrarias e só tenho pena de não ter tido mais tempo para as explorar ainda melhor. No meio de tanta coisa que queríamos ver e fazer, acabei por só conseguir visitar três.


  • Waterstones, que tem vários pisos, com livros para todos os gostos, uma secção de papelaria e merchandise livrólico (sim, há muito Harry Potter!) e uma secção de livros infantil adorável. Uma das razões para a querer visitar é a vista que tem para o castelo e para os jardins da Princes Street. É das vistas mais bonitas e era o sítio onde provavelmente passaria mais tempo, caso vivesse em Edimburgo. Foi a livraria de que gostei mais e tornou-se na minha preferida de todas onde já entrei.


  • Blackwell's Bookshop, uma livraria mesmo perto do National Museum of Scotland (um dos meus sítios preferidos da cidade). Tive que me controlar bastante porque tem imensos livros, com grande variedade, preços bem tentadores e promoções que ainda hoje me perseguem em sonhos (conseguia comprar três livros novos pelo preço de um em Portugal............). Naquele momento estávamos com pressa para ainda aproveitarmos algum tempo no museu, porque caso contrário, acho que ainda hoje lá estava.



  • Armchair Books, paragem obrigatória para qualquer livrólico. Fica perto de Grassmarket e é das livrarias mais conhecidas da cidade. Entramos pela porta e damos logo com os estreitos corredores, que fazem com que esta livraria pareça mais pequena do que na realidade é. Tem vários corredores, levando-nos num pequeno labirinto apetrechado de livros usados de cima a baixo. Encontram nela uma grande variedade, com livros de géneros diferentes; está cheia de relíquias e de livros a preços muito bons. Das três, foi aquela onde passei mais tempo e a única onde comprei livros. As estantes estavam repletas de livros desejados, a esticarem as mãozinhas para mim e ter que os abandonar foi de partir o coração.


Passando então para o que trouxe comigo, acabei por não encontrar exatamente os livros que queria. Além disso, não tinha muito espaço na mochila para voltar para Portugal carregada de livros e também não me sentia bem a gastar muito dinheiro (depois de ter pago 9,99£ pela mini pilha banhada em ouro para a minha máquina fotográfica - ainda não ultrapassei o trauma). Já tinha decidido que só iria comprar no máximo dois ou três livros e ia com a ideia de comprar um autor mais clássico e outro mais contemporâneo (especialmente Ali Smith, que tenho imensa curiosidade!). Acabei por comprar apenas dois livros, na Armchair Books: The Hound of The Baskervilles, do Sir Arthur Conan Doyle (5º livro com o Sherlock Holmes) e o A Far Cry from Kensington, da Muriel Spark. Não encontrei nesta livraria nada da Ali Smith (ninguém se desfaz dos livros dela, estou a ver!) e não encontrei exatamente os livros que queria, mas vim muito satisfeita. Nunca li nada destes autores, então estou muito curiosa. Veremos se fiz boas escolhas! (Acredito que sim)