terça-feira, 14 de julho de 2015

Resenha: The Night Circus, Erin Morgenstern


"The circus arrives without warning. No announcements precede it... It is simply there, when yesterday it was not."

Finalmente consegui ter tempo para terminar esta leitura. Parti para este livro sem saber nada sobre ele, a não ser aquilo que está mencionado na citação acima. Decidi lê-lo porque, além de me ter sido recomendado por pessoas em cujo gosto literário eu confio, pareceu-me algo diferente de tudo o que já tinha lido e, além disso, andava com vontade de ir para outra realidade diferente. 

The Night Circus é o primeiro e único livro da autora Erin Morgenstern. No início da história conhecemos Hector Bowen, um ilusionista bastante famoso e reconhecido pelos seus talentos, os quais ninguém sabe que dizem respeito a magia verdadeira. Certo dia, depois de um espectáculo, chega ao seu camarim uma jovem, Celia Bowen, sua filha, depois da sua mãe ter cometido suicídio. Hector fica com a filha e, com o passar do tempo, vai-se apercebendo que também esta tem alguns poderes mágicos, os quais ele vai explorar a partir daí. 

A questão principal deste livro está no facto de Hector Bowen ter uma espécie de jogo ou competição com outro homem, "o homem do fato cinzento". Essa competição envolve magia e uma medição de forças mágicas entre dois oponentes, que são alunos destes dois homens e que são, por isso, escolhidos por eles para competir obrigatoriamente, durante um tempo indefinido, até que um perca.

E é uma dessas competições que vai dar origem a este circo, cheio de magia, onde qualquer acto de um dos oponentes vai ter as suas repercussões tanto no próprio circo, como nas pessoas que o constituem. 

Foi uma leitura um pouco lenta e, inicialmente, demorei um pouco a perceber o que se estava a passar. Contudo, não me fui preocupando muito com isso, porque aos poucos as peças foram encaixando e a história foi começando a fazer sentido. Até lá fui aproveitando para mergulhar neste circo fantástico, com várias tendas diferentes e vários personagens interessantes, cada um com a sua história. Daí também não me ter incomodado o facto da leitura ter sido um pouco lenta, porque tal ajudou a conhecer bem os personagens e a própria construção e evolução do circo.

Sinceramente, a minha parte preferida foi ver o que havia em cada uma das muitas tendas existentes. O detalhe é muito bom. Em cada uma, havia a preocupação com o que o visitante iria sentir ao entrar lá, literalmente. Até havia a preocupação com os cheiros! Várias tendas nem tinham uma atracção específica no meio, dando espaço ao visitante para as explorar. 

Esse aspecto da exploração do circo também foi interessante de ver através das aventuras de um rapaz, Bailey Clarke, que adorava o circo e o visitava sempre que ele aparecia na sua cidade, especialmente quando ele conheceu e fez amizade com dois irmãos que nele trabalhavam. 

Como já disse, há também toda a história da competição que está a decorrer e cujo enredo se vai desenvolvendo aos poucos. Além disso, vemos também um romance entre dois personagens, mas tal acaba por não ser o principal foco do livro, o que para mim foi um ponto muito positivo.

Enfim, gostei do livro. Não foi a melhor história que já li em toda a minha vida, mas foi bom e satisfez bem as minhas necessidades de mergulhar num mundo diferente. Tem partes do livro em que a autora se dirige literalmente ao leitor, como se ele estivesse a entrar e a explorar o próprio circo. Na minha opinião, isso foi interessante e que deu algo novo e diferente ao livro. Acho mesmo que vou ter saudades de visitar algumas das tendas...

"People see what they wish too see. And in most cases, what they are told that they see."

quinta-feira, 4 de junho de 2015

terça-feira, 5 de maio de 2015

Quem Escreve #2: Bukowski



"What matters most is
How well you
Walk through the
Fire."

Autor: Henry Charles Bukowski Jr.
Data de nascimento: 16 de Agosto de 1920
Data de morte: 9 de Março de 1994
Nacionalidade: Alemã/Americana

Bukowski nasceu na Alemanha, mas foi viver para os E.U.A. logo aos dois anos de idade. O seu pai era um soldado bastante rígido e amante da disciplina, acabando por ser bastante exigente com o próprio filho, punindo-o fisicamente após a mais pequena falha. Além dos abusos físicos por parte do pai, Bukowski não tinha muitos amigos, pois sofria de bullying por parte dos rapazes e era rejeitado pelas raparigas.
Em 1939, Charles ainda procurou frequentar o Los Angeles City College, mas acabou por sair logo aquando do início da 2ª Guerra Mundial, partindo para Nova Iorque com a ambição de vir a ser escritor, o que só consegue alcançar, profissionalmente, aos 35 anos, quando começa a publicar as suas obras em jornais mais alternativos e independentes. Apesar de só ter começado a publicar aos 35 anos, Bukowski escreveu mais de quarenta livros de poesia, contos e romance. As suas obras são dominadas pelo álcool, sexo, apostas e música, tendo um carácter bastante auto-biográfico. A escrita de Bukowski é crua e transpira loucura, não havendo a necessidade de ornamentos literários para que a mensagem seja transmitida. Aos 74 anos, morre de leucemia, deixando para trás uma obra imensa, especialmente de poesia, que continuou a ser publicada e adorada pelos seus leitores.

Influências:
Quer tenha sido pela escrita em si, pelos temas abordados, pelos personagens, ou por qualquer outra razão, aqui estão alguns autores que terão influenciado Bukowski: John Fante, Louis-Ferdinand Céline, Henry Miller, Jean-Paul Sartre, George Orwell, Fiódor Dostoiévski, Ernest Hemingway e Knut Hamson.

Alguns livros publicados:
Curiosidades:

  • Aos treze anos de idade, Bukowski foi convidado por um colega a ir a sua casa, onde provou uma bebida alcoólica pela primeira vez e, mais tarde ao escrever sobre o assunto, o escritor disse: "It was magic. Why hadn't someone told me?".
  • É também aos treze anos que o autor diz ter escrito o seu primeiro conto. Bukowski afirma que, do nada, pegou num lápis e começou a escrever num caderno, sem parar. O conto era sobre um homem armado, que andava num avião a matar pessoas. Esse conto acabou por ser confiscado pelo pai do autor, que o destruiu imediatamente.
  • Foram vários os empregos que este escritor teve e todos eles lhe deram experiências que serviram de inspiração para algumas das suas histórias. Entre esses empregos estão: camionista, carteiro, funcionário numa estação de combustíveis, assistente de parques de estacionamento, funcionário num matadouro, colunista, ...


Quanto a mim, ainda só li um livro de Bukowski, um romance, Pulp, com o qual me estreei aqui no blog. Gostei bastante da escrita dele e quero mesmo muito ler mais daquilo que ele escreveu.



"There's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say, stay in there, I'm not going
to let anybody see
you.
There's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I pour whiskey on him an inhale
cigarette smoke
and the whores and the bartenders
and the grocery clerks
never know that 
he's 
in there."